O escudo do Flamengo reúne as cores rubro-negras em listras horizontais e as iniciais entrelaçadas CRF, de Clube de Regatas do Flamengo. O desenho do brasão usado no futebol foi aprovado pelos associados em 1920, enquanto a insígnia mais antiga, com âncora e remos, preserva a origem do clube no remo.
O texto a seguir explica quais são os três símbolos oficiais, o significado de cada elemento, a descrição do brasão publicada na imprensa em 1921, a história das estrelas que aparecem sobre o monograma e as mudanças mais recentes, da padronização de 2018 ao rebranding de 2026.
Resumo rápido sobre o escudo do Flamengo
- Três símbolos: brasão do futebol, insígnia do remo e monograma CRF.
- Insígnia do remo: âncora central, dois remos cruzados e as letras C, R e F ao redor.
- Brasão do futebol: aprovado em 1920 e descrito pelo jornal O Imparcial em janeiro de 1921.
- Listras: oito faixas horizontais alternadas, quatro pretas e quatro vermelhas, no desenho original.
- Monograma: as letras CRF brancas e entrelaçadas, peça principal da camisa de jogo.
- Estrelas: a dourada sobre o CRF lembra a Libertadores e o Mundial de 1981.
- Padronização: estudo de marca de 2018 definiu as versões atuais.
- 2026: o rebranding manteve escudos e monograma e organizou o uso de cada um.
Os três símbolos oficiais do clube
O Flamengo trabalha com mais de um emblema oficial. O escudo completo, de formato ogival e listrado, funciona como logotipo oficial e identifica o futebol e a instituição. A insígnia do remo aparece nos barcos, uniformes e materiais dos esportes náuticos. O monograma CRF, isolado, é o elemento que costuma estampar a camisa principal de futebol.
Essa divisão ganhou status formal no rebranding apresentado em agosto de 2026, conduzido pela agência Ana Couto. O projeto definiu três referências para organizar as submarcas e o licenciamento: Brasão do Futebol, Insígnia do Remo e Monograma CRF. Os desenhos em si foram preservados.
A insígnia do remo: âncora, remos e as letras C, R e F
O emblema mais antigo vem da época em que o Flamengo se dedicava apenas às regatas. Segundo o Museu Flamengo, ele traz uma âncora centralizada, sobre a qual repousam duas pás de remo cruzadas. As iniciais ficam distribuídas em volta: o C acima da âncora, o R à esquerda e o F à direita. Cada elemento remete à finalidade original do clube, fundado por remadores na praia do Flamengo.
A âncora já estava presente no primeiro estatuto. O documento de 1895 previa um pavilhão com listras largas nas cores da época, cantos pretos e duas âncoras vermelhas. Depois da troca das cores, a bandeira passou a ser rubro-negra, e o estatuto de 1915 fixou o modelo com as iniciais CRF que, com ajustes, chegou aos dias de hoje: listras horizontais e, no canto superior esquerdo, um quadrado preto com âncora, remos cruzados e as letras do clube. Em 1980, a âncora ficou mais larga e os remos perderam parte das curvas nas pontas.
A insígnia voltou ao gramado em 2019, quando a camisa reserva lançada em 16 de maio daquele ano, na sede da Gávea, trocou o escudo tradicional pelo emblema do remo como homenagem às origens.
O brasão de 1920 e a descrição publicada em 1921
Quando o clube criou a seção de esportes terrestres, em 1911, não houve um novo escudo. As camisas dos primeiros anos do futebol eram lisas, sem emblema, e o pavilhão seguia com o símbolo náutico. A mudança veio em 1920, quando os associados aprovaram um brasão para representar o clube socialmente e também nos esportes terrestres.
O jornal O Imparcial publicou o desenho e sua descrição em 24 de janeiro de 1921. O texto, preservado pelo Museu Flamengo, fala em um escudo heráldico de forma ogival, com o campo dividido em oito listras horizontais, equidistantes e alternadas, quatro pretas e quatro vermelhas. No ângulo superior esquerdo há um retângulo com a altura das três primeiras listras e, ao centro dele, as letras CRF brancas e entrelaçadas. É essencialmente o mesmo brasão que o torcedor reconhece hoje.
O formato ogival, com a base terminando em ponta, segue a tradição dos brasões europeus, comum em emblemas de clubes do início do século XX. As listras repetem as cores adotadas em 1896, quando o azul e o ouro da fundação deram lugar ao vermelho e ao preto, tema já tratado em outro texto da série. O retângulo com as iniciais funciona como um selo de identificação, e foi justamente esse pedaço do brasão que, décadas depois, se tornou o símbolo isolado da camisa.
Ao longo do século, a maior parte das alterações ficou no monograma, com variações no traço e no entrelaçamento das letras. O CRF rubro-negro é frequentemente comparado ao monograma do Rangers, da Escócia, pela semelhança no desenho das iniciais.
| Ano | Mudança |
|---|---|
| 1895 | estatuto prevê pavilhão com listras largas e duas âncoras vermelhas |
| 1915 | estatuto fixa a bandeira rubro-negra com as iniciais CRF |
| 1920 | associados aprovam o brasão ogival listrado para o clube e o futebol |
| 1921 | O Imparcial publica o desenho e a descrição oficial, em 24 de janeiro |
| 1980 | três estrelas brancas passam a acompanhar o monograma; âncora da bandeira é redesenhada |
| 2005 | camisas passam a exibir só a estrela dourada sobre o CRF |
| 2018 | estudo de marca padroniza escudos, monograma e bandeira |
| 2026 | rebranding mantém os desenhos e organiza o uso dos três símbolos |
As estrelas acima do escudo
As estrelas entraram no uniforme em 1980, quando três estrelas brancas foram colocadas na vertical ao lado do monograma para marcar os tricampeonatos cariocas de 1942-43-44, 1953-54-55 e 1978-79-79 Especial. Em 2000, com a Nike como fornecedora, a camisa trouxe pela primeira vez o escudo completo com três estrelas acima.
Depois do tri estadual de 1999, 2000 e 2001, o clube acrescentou uma quarta estrela branca e uma estrela dourada, esta última para celebrar os 20 anos da Libertadores e do Mundial de 1981. Desde 2005, as camisas exibem apenas a estrela dourada sobre o CRF, combinação que se tornou a imagem mais associada ao uniforme rubro-negro.
Mudanças recentes e uso atual
Em 2018, um estudo de marca padronizou os símbolos do clube, definindo as versões atuais do escudo, do monograma e da bandeira. Desde então, as aplicações em uniformes, produtos e peças de comunicação partem dessa referência.
O rebranding de 2026 seguiu a mesma linha de preservação. Em vez de redesenhar o brasão, o projeto reinterpretou as listras rubro-negras em um degradê do vermelho ao preto para peças de comunicação e deu mais destaque ao urubu. O escudo segue como peça central da identidade, com o mesmo desenho básico aprovado há mais de um século.
Perguntas frequentes sobre o escudo do Flamengo
O que significa CRF no escudo do Flamengo?
As letras são as iniciais de Clube de Regatas do Flamengo, nome oficial da instituição. No brasão, aparecem brancas e entrelaçadas no retângulo do canto superior esquerdo.
Por que o Flamengo tem uma âncora e remos em um de seus escudos?
A insígnia com âncora e remos cruzados representa a origem do clube no remo. Ela é anterior ao futebol e continua sendo usada nos esportes náuticos.
Quando surgiu o escudo listrado usado no futebol?
O brasão foi aprovado pelos associados em 1920 e teve a descrição publicada pelo jornal O Imparcial em 24 de janeiro de 1921.
O que significa a estrela dourada sobre o escudo?
Ela lembra as conquistas da Libertadores e do Mundial de 1981. Foi incorporada quando esses títulos completaram 20 anos e, desde 2005, é a única estrela na camisa.
O escudo do Flamengo mudou no rebranding de 2026?
Não. O projeto preservou escudos e monograma e apenas definiu como cada um dos três símbolos deve ser usado nas submarcas e no licenciamento.