Popeye já foi mascote do Flamengo? Entenda

Sim, o Popeye foi o primeiro mascote do Flamengo. O marinheiro dos quadrinhos passou a representar o clube nos anos 1940 por obra do cartunista argentino Lorenzo Molas, que o desenhou com a camisa rubro-negra no Jornal dos Sports, em cartum publicado em 2 de julho de 1944. Henfil, a quem a ideia às vezes é atribuída, nasceu justamente naquele ano e não tem relação com o Popeye.

Nas próximas seções estão o contexto do jornal que espalhou os mascotes dos clubes cariocas, as razões para a escolha de um marinheiro, a confusão envolvendo Henfil, os motivos que levaram o personagem a perder espaço e a lista dos mascotes que vieram depois dele.

Resumo rápido sobre o Popeye rubro-negro

  • Criador da associação: Lorenzo Molas, chargista argentino que trabalhava no Brasil.
  • Veículo: Jornal dos Sports, diário esportivo do Rio de Janeiro.
  • Estreia: cartum de 2 de julho de 1944.
  • Personagem original: Popeye, criado pelo americano E. C. Segar em 1929.
  • Por que um marinheiro: força, persistência e ligação com o mar, origem do clube no remo.
  • Popularidade: cresceu com o tricampeonato carioca de 1942, 1943 e 1944, mas nunca foi unânime.
  • Substituto: o urubu, adotado pela torcida a partir de 1969.

Lorenzo Molas e os mascotes do Jornal dos Sports

Na década de 1940, o Jornal dos Sports era a principal publicação esportiva do Rio e investia em humor gráfico para atrair leitores. Molas, argentino radicado no Brasil, foi contratado em 1944 e criou uma série de tiras em que cada grande clube carioca ganhava a cara de um personagem. Nas histórias, os times disputavam a atenção da Miss Campeonato, figura que simbolizava o título estadual.

Foi assim que nasceram figuras que algumas torcidas preservam até hoje. O Vasco virou o Almirante, publicado em abril de 1944. O Fluminense ganhou o Cartola, e o Botafogo foi representado por uma versão do Pato Donald com o uniforme alvinegro. Para o Flamengo, Molas escolheu o Popeye, então um dos personagens de quadrinhos mais populares do país. Em uma das tiras, o marinheiro rubro-negro chega a se casar com a Miss Campeonato.

O destino desses personagens variou bastante. O Almirante continua ligado ao Vasco e foi redesenhado pelo clube em 2012 e novamente em 2018, numa versão mais próxima do traço de Molas. No Flamengo, o Popeye não resistiu à chegada de um símbolo nascido nas arquibancadas, como se verá adiante.

O sucesso foi tão grande que inspirou jornais de outros estados. Em Minas Gerais, a Folha de Minas encomendou ao desenhista Fernando Pieruccetti charges semelhantes, de onde saíram bichos como o Galo do Atlético e a Raposa do Cruzeiro.

Por que um marinheiro para o Flamengo

A escolha tinha lógica. O Flamengo nasceu como clube de remo, e um personagem que vivia no mar fazia referência direta a essa origem. Além disso, o Popeye era conhecido por apanhar no começo das histórias e virar o jogo no final, depois de comer espinafre. O Museu Flamengo resume a ideia de Molas como a de um herói capaz de superar situações difíceis.

O personagem também era familiar ao público carioca. Criado nos Estados Unidos no fim dos anos 1920, o marinheiro ficou ainda mais conhecido com os desenhos animados exibidos nos cinemas, o que fazia dele uma referência imediata para leitores de todas as idades. Usá-lo para representar o clube mais popular da cidade era uma forma rápida de criar identificação.

O momento ajudou. Meses depois da estreia do personagem, o Flamengo fechou o tricampeonato carioca de 1942, 1943 e 1944, o primeiro de sua história. O marinheiro ficou associado a uma fase vitoriosa e passou a aparecer com frequência nas páginas esportivas sempre que o rubro-negro era o assunto.

Henfil criou o Popeye? A confusão entre dois cartunistas

Não. A atribuição do Popeye a Henfil é um erro comum, provavelmente porque os dois cartunistas desenharam mascotes de clubes no mesmo jornal, com duas décadas de distância. Henrique de Souza Filho, o Henfil, nasceu em fevereiro de 1944, poucos meses antes do primeiro cartum de Molas com o Popeye rubro-negro.

A passagem de Henfil pelo Jornal dos Sports começou em 1967, na edição mineira, e sua fase mais conhecida na edição carioca teve início em abril de 1969. Ali ele criou uma galeria própria de torcedores: o Urubu para o Flamengo, o Bacalhau para o Vasco, o Pó de Arroz para o Fluminense, o Cri-Cri para o Botafogo e o Gato Pingado para o América. Segundo pesquisa acadêmica sobre sua obra, o Urubu era o primeiro e mais popular desses personagens e funcionava como alter ego do próprio autor, flamenguista. Henfil deixou o jornal em 1972. Suas charges rubro-negras foram reunidas mais tarde no livro Urubu e o Flamengo, com apresentação de Zico.

Em resumo, Molas é o pai do Popeye flamenguista, e Henfil é o desenhista que deu rosto e personalidade ao urubu depois que a torcida o escolheu.

Por que o Popeye perdeu o posto

O Popeye foi uma criação da imprensa, não da arquibancada, e nunca chegou a ser muito popular entre os torcedores, como registram as enciclopédias sobre o clube. Era também um personagem estrangeiro, sem raízes na cultura das arquibancadas cariocas.

O urubu tinha o caminho oposto. Começou como insulto dos rivais e foi adotado pelos próprios flamenguistas no fim dos anos 1960, num movimento espontâneo que culminou em um clássico contra o Botafogo, em 1969. Com a ave nas arquibancadas e nas charges de Henfil, o marinheiro foi saindo de cena sem qualquer anúncio formal. Não houve decreto da diretoria: a troca aconteceu pelo uso.

Os mascotes do Flamengo depois do Popeye

A partir daí, todas as versões oficiais do mascote rubro-negro foram variações do urubu. O clube tentou dar nome e desenho padronizado à ave mais de uma vez, com graus diferentes de aceitação.

PeríodoMascoteObservação
1944Popeyecriado por Lorenzo Molas no Jornal dos Sports
1969Urubuadotado pela torcida e popularizado nas charges de Henfil
2000Samucaprimeiro desenho oficial com nome; o apelido não pegou
2008Uruba e Urubinhaestreia em 25 de maio, no Maracanã, contra o Internacional
2020Novo urubuversão apresentada em novembro, com consulta à torcida sobre o nome
AtualidadeUrubão e Binhoum visual mais imponente e outro voltado ao público infantil

O acervo do Museu Flamengo guarda também versões do urubu desenhadas por Ziraldo, outro cartunista que emprestou o traço ao clube. O Popeye ficou como curiosidade histórica, lembrado sobretudo quando o clube conta a trajetória de seus símbolos.

Perguntas frequentes sobre o Popeye e os mascotes do Flamengo

Quem escolheu o Popeye como mascote do Flamengo?

O cartunista argentino Lorenzo Molas, que trabalhava no Jornal dos Sports. Ele representou o Flamengo como Popeye em suas tiras sobre os clubes cariocas, a partir de julho de 1944.

Henfil desenhou o Popeye do Flamengo?

Não. Henfil nasceu em 1944 e só começou a publicar charges no Jornal dos Sports do Rio no fim dos anos 1960. Sua contribuição foi o personagem Urubu, que ajudou a popularizar o novo mascote.

Quais eram os mascotes dos outros clubes cariocas criados por Molas?

O Vasco era o Almirante, o Fluminense era o Cartola e o Botafogo aparecia como uma versão do Pato Donald com o uniforme do clube.

Quando o Popeye deixou de ser o mascote?

A substituição ocorreu a partir de 1969, quando a torcida passou a adotar o urubu como símbolo. Não houve data oficial de aposentadoria do marinheiro.

Qual é o mascote do Flamengo hoje?

O urubu, que aparece em versões oficiais como o Urubão e o Binho, além das mascotes Uruba e Urubinha, que estrearam em 2008.

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